Olha só que Ruski mais esperta; a Sandi já viajou quase 10.000 km até o Alaska e parece que gostou bastante, pois já tem outra pernada grande agendada para esse ano. Sandi usa um cinto de segurança que permite que ela se movimente sem correr o risco de cair da moto; é a garupa perfeita. Bem que o Haroldo podia começar a apreciar um ventinho na cara…
Finalmente conseguimos terminar o relatório final da viagem do final do ano e publicá-lo no www.duasmotos.com. Deu trabalho, mas ficou bem bacaninha. Agora você vai ver as melhores fotos selecionadas (inclusive em slideshow), vai poder salvá-las numa resolução melhor, vai ver os vídeos, vai poder acompanhar tudo no mapa do GoogleMaps e GoogleEarth e ver o resumo de tudo, incluindo links para os hoteis e preços das diárias. Enfim, tudo bem mastigadinho para quem quiser repetir o passeio, mesmo que de carro. Clique aqui para se divertir e boa viagem!!!
Finalmente chegamos! A volta foi tranquila (mas cansativa, como estava previsto). Agora é só arrumar a bagunça, selecionar fotos e fazer o relatório final para colocar no site duasmotos.
Foi uma viagem ótima, inesquecível e maravilhosa. Nossos anjos da guarda foram tão cuidadosos que não passamos por nenhum aperto ou susto na estrada, só deslumbre mesmo.
Aproveito a oportunidade para agradecer a companhia de todo mundo que viajou com a gente fazendo comentários e mandando e-mails. É muito bacana receber esse apoio à distância quando se está tão longe de casa!
Mas ano que vem tem mais e 2010 já vem cantando pneu!!!
O Marcelo tem mesmo razao, a saudade vai apertando e a gente quer mais eh voltar correndo para casa. Pois refizemos de novo os planos para conseguir chegar no sabado, em vez de domingo, como era o plano original. Ontem rodamos 730 km e dormimos em Tornquist, uma cidadezinha linda e pacata, com um bosque enorme servindo de praca central. Tirei umas fotos bacanas, mas aqui nao dah para posta-las.
Agora, depois de longos 845 km, estamos em Victoria, 80 km depois de Rosario. Soh vimos Rosario en passant, mas jah deu para ver que eh linda e enorme (ruim para duas motos), com transito, viadutos e vias expressas dignas de cidade grande.
Victoria eh bem bonitinha, mas a atracao central eh um cassino que mais parece um resort completo as margens do Rio Parana. Em resumo: agora enfiamos o peh na jaca com muito mais vontade. O restaurante do hotel eh maravilhoso e o quarto (pegamos o mais simplinho) eh sensacional. Delicia para quem estah caindo aos pedacos.
Amanha passaremos o reveillon em Uruguaiana (no ano passado comemos umas empanadas com coca-cola numa padaria antes de desmaiar de cansaco; esse ano temos pelo menos uma Mumm pequena que a gente ganhou de natal no hotel Edenia para comer com as coxinhas ou paes de queijo que encontrarmos em alguma padaria).
Sexta a gente dorme em Vacaria (a gente jah tem ateh desconto no hotel de lah) e sabado jah podemos afofar os gaticulos em casa
Saímos de Caleta Olivia com 10ºC de temperatura e chegamos aqui em Puerto Madryn com 25ºC; entre uma coisa e outra, aconteceu de tudo. A temperatura subiu, desceu, o vento virou de todos os lados, ficou forte, muito forte e fortíssimo; desviamos de várias nuvens ameaçadoras, enfim, ninguém reclamou de tédio.
Num posto do caminho acabamos encontrando o Hanno e a Sandra, de Rio do Sul. Já havíamos trocado vários e-mails quando ele estava planejando ir ao Paso San Francisco, mas nunca tínhamos nos visto pessoalmente. Ele prontamente nos reconheceu quando entramos no posto por causa das fotos do blog. A internet é uma coisa muito bacana, né?
O Hanno é o moderador do grupo Brazil Rider´s e deve ser um monstro, pois ontem eles andaram por toda a Península Valdésde moto (400 km de rípio péssimo com trechos de areia fofa e vento fortíssimo; até o Conrado que adora uma estrada de terra preferiu alugar um carro quando estivemos aqui uns anos atrás). Nunca conheci ninguém que tivesse feito isso (até porque é muito chato ficar carregando o capacete num passeio para ver os bichos).
Agora eles estavam indo até Perito Moreno (nao o Glaciar, a cidade) cruzar para o Chile e subir pela Carretera Austral. Muito bacanas os dois, quem sabe a gente ainda se encontra em Rio do Sul no ano que vem.
Estudamos um pouco melhor o roteiro de volta e vamos amanha até Baía Blanca (720 km, só para morder a língua…eheheh).
Hoje rodamos mais 470 km e estamos em Caleta Olívia, à beira do mar. Aquele vento conhecido continua malcriado, mas quanto mais a gente sobe, mais a temperatura aumenta (já estamos em 16 ºC), o que compensa um pouco o desconforto.
No caminho, num posto em Tres Cerros, encontramos uma cena insólita num posto de gasolina: um cachorro que cuidava com muito zelo de uma gatinha filhote. Ela usava coleira e, pesquisando um pouco, descobri que o dono do posto a tinha recém adotado (na ida passamos pelo mesmo lugar e ela nao estava), pois tinham “esquecido” a fofa no local. Ele explicou que o cachorro, também do posto, tinha sido adotado na mesma situaçao; alguém o “esqueceu” lá. A gatinha parecia cega (ou enxerga pouco, o dono do posto disse que ia levá-la no veterinário) e o cachorro tinha uma patinha amputada. Dois queridos que tiveram a sorte de encontrar um homem bom no caminho e formam uma dupla muito especial.
Ele faz o papel de mae de gato, lambendo a filhote toda
Hoje a gente saiu de El Calafate com um dia lindo, mas pegamos 4,5 ºC na estrada. Escapamos de virar picole porque o vento estava a favor (delicia) nos primeiros 200 km. Quando a malcriaçao eolica começou, a temperatura ja tinha atingido escaldantes 11ºC, de maneira que chegamos mais ou menos inteiros.
No unico posto de gasolina do caminho, a 160 km de El Calafate, na isolada localidade de La Esperanza, conversamos com um morador que nos contou que lah faz 25ºCnegativos no inverno, com picos de 38ºC abaixo de zero! Por isso, naquela regiao nao dah para plantar nada, e o unico bicho que dah para criar eh ovelha (deve ser porque eh o unico animal que jah vem com casaco).
Pois eh, entao hoje foram menos 485 km longe de casa e estamos num hotelzinho inesperadamente charmoso numa cidade chamada Comandante Luis Piedra Buena. Eh claro que os muito machos conseguem fazer o dobro disso por dias seguidos (neh, Marcelo? Eeheheh…), mas como sou menina e ainda por cima estou de ferias (a volta tambem faz parte), 500km/dia estah de bom tamanho. Comer chao estah ok, mas comer demais e com pressa pode dar dor de barriga. Prefiro nao arriscar….ehehehe…
Hoje, 25, tiramos o dia para nos despedir desse lugar lindo e tambem para o Conrado trocar o oleo das motos. Amanha a gente vai para a estrada de novo e o elastico comeca a puxar de volta para a casa. Vao ser 8 dias soh comendo chao, mas vai ter valido muito a pena.
Exceto por Puerto Madryn, vamos parar em lugares diferentes na volta e usar um caminho alternativo para evitar Buenos Aires (já pensou viajar um dia inteiro e chegar naquela megalópole bem no horário do rush?).
Mesmo assim, o noticiário continua, só que sem cenários espetaculares (se bem que nunca se sabe, né?).
Nossa, que experiencia inesquecivel a de ontem (sorry, teclado sem acentos). Primeiro a gente pegou um onibus cheio de gringos para ir ateh o Glaciar (sao 80 km alem da cidade). Os passeios sao organizados pela agencia Hielo & Aventura que detem a concessao de passeios ao Perito Moreno e adjacencias. Os passeios nao sao baratos (como, de resto, nada por aqui), e esse que fizemos, o mini-trekking, que leva o dia todo, custa mais ou menos R$ 250/pessoa, mas vale cada centavo (nessa viagem a gente estah enfiando o peh na jaca com vontade…eeheheh).
Eh impressionante a organizacao. Eles combinam com o hotel e sincronizam as vans com o onibus, de modo que ninguem fica esperando em lugar nenhum; e olha que sao dezenas de hoteis e centenas de gringos, uma verdadeira babel. Mesmo assim, ninguem se perde e tudo funciona.
Primeiro a gente foi ateh as passarelas do Glaciar, onde se fica de boca para o gol. Tivemos 2,5 horas para apreciar a paisagem, tirar fotos e comer a vianda (lanche) que tinhamos levado. Como todo mundo tem que levar lanche, o que mais se ve eh gente indo ao mercadinho e comprando viveres (eu fui tambem). Chegando lah, surpresa: a prefeitura proibiu o uso de sacolas plasticas (VIVA!!!) e todo mundo sai com uma caixinha de papelao na mao, dessas reutilizadas de embalagens no atacado, com tudo organizado dentro. Se o mundo todo proibisse o uso das tais sacolinhas, boa parte do problema do lixo estaria bem encaminhado. No caminho vi lixo plastico por toda parte, mesmo nos lugares mais bonitos de Puerto Deseado.
A grande brincadeira de ficar observando o Glaciar eh presenciar a queda de um pedaco. A gente ouve estrondos de gelo rachando o tempo todo e fica esperando acontecer alguma coisa na beirada. Dah para ficar um dia inteiro olhando, eh hipnotico! As vezes nao cai nada, as vezes soh um pedacinho, mas as vezes, quando cai uma lasca maior, eh um espetaculo. Chega a fazer ondas bem grandes no lago, dependendo do tamanho do naco e altura da queda. Consegui filmar um deles, olha soh!
Depois fomos de onibus para a beira do lago, onde encontramos o barco que nos levaria ateh a outra margem. No caminho, fomos beirando o Glaciar, que eh impressionante!
Ateh o ceu nublado ficou bacana
Coisa gigantesca caindo aos pedacos
Olha o tamanho do barquinho...
Chegando lah, caminhamos ateh o que eles chamam de refugio (uma casa de madeira no meio de um bosque que serve de base para trekkers), onde descansamos um pouco e recebemos explicacoes sobre aquela montanha gigantesca de gelo, que, na verdade, eh um rio congelado que vai transbordando quando “chove” neve na cordilheira. No verao (6 a 13 graus aqui), os pedacos vao se desprendendo e a gente assiste ao show, encantados.
Para o final ficou a parte mais fantastica, a caminhada sobre o Glaciar. Os guias amarram uma especie de sandalia com grampos na sola para a gente poder caminhar sobre o gelo, que eh duro e escorregadio (bem diferente daquele que cobria o Vulcao Villa Rica em Pucon, no Chile, que era fofo a ponto da gente voltar escorregando como tobogan montanha abaixo).
Rumo a grande aventura
Com os grampos nos pes
Olha soh o tamanho das pessoinhas
Os grampos sao o unico jeito de andar por lah e funcionam mesmo. Num instantinho a gente se acostuma. Hah sempre um guia por grupo de 20 pessoas que vai mostrando o caminho. Os buracos sao incriveis e hah varios lagos pequenos com agua congelada. Cansa um pouco, mas como sao apenas 2 horas de caminhada, ninguem morre por causa disso.
Casal glacial
Cenario surreal
Tomando agua da fonte; eh boa mesmo!
Encuentro romantico: separados por uma fenda
Nao eh tao assustador como parece... (a foto estah inclinada)
Yoga no Glaciar: meu professor pediu provas que eu estava praticando
Andando sobre a agua; milagre de natal
E, chegando perto do ponto de chegada, El gran finale: eles montam uma mesa de madeira (deve ser bem pesada) bem em cima do Glaciar e servem uisque com o gelo de lah (aquela piadinha do uisque de 510 anos — 500 que eh o tempo que leva para um gelo sair da cordilheira e chegar ateh o Perito Moreno; e 10 do uisque).
Bartender glacial
Saude!
Vai uma dose?
Depois, foi pegar o barco de volta, o onibus e a van para o hotel (antes devolvemos uma mochila e as luvas que tinhamos alugado para a ocasiao; aqui tem tudo!).
Para completar o dia perfeito, as 21h30 saboreamos a ceia especial de natal (cada hospede podia jantar na hora que quisesse, soh o cardapio eh que era especial) com aquelas frescuras que eu adoro: entrada minuscula de canape com maca e queijo azul; entrada de patinhas de centolla (um tipo de carangueijo gigante) com limao e creme de queijo; sorvete de menta no intervalo, para “limpar” o paladar; pato com ervas e, para terminar, uma sobremesa com framboesas frescas e sorbet. A meia noite ainda teria espumante e uma mesa de doces, mas nao tinhamos mais forcas para esperar…
Delicia de ceia: dah para acreditar que jah eram 21h30?
Papai Noel foi muito legal com a gente esse ano. Valeu, viu?
Chegamos ontem aqui em El Calafate, uma cidade lindinha (lembra muito Bariloche). Mesmo cansados de apanhar do nosso velho conhecido furacao linear e passado bastante frio (a moto marcava 10ºC, mas por causa do vento, a sensaçao térmica era de muito menos e nem meu colete térmico mais o X-Power deram conta), nao conseguimos nos conter e fomos direto ao Glaciar Perito Moreno, que fica 80 km depois da cidade. Pena que o tempo estava (e continua) nublado, mas a vista é impressionante. É muuuito gelo se derramando para o Lago Argentino, que tem uma cor indescritível, como só os lagos de geleira conseguem.
Esse foi o único lugar onde reservamos hotel porque sabemos que Natal e Ano Novo sao datas problemáticas para chegar em lugares turísticos sem avisar antes. Eu tinha mandado e-mails para um montao de hoteis e os que responderam (a maioria nao deu notícias até hoje) estavam lotados. Por sorte conseguimos o Edenia, que é um hotel fora da cidade, numa ponta isolada da baía de onde dá para ver El Calafate que é, na bem da verdade, um lugarejo. De hora em hora o hotel tem uma van que vai e volta do “pueblo“, de maneira que a distância nao é problema e caba sendo é ótimo por causa da vista. Além do mais, é um baita hotelzao, com banheira e cama king size. Nao está sendo muito barato (U$ 110/dia), mas considerando os preços daqui, que sao bem altos, está ótimo. Aliás, quanto mais a gente desce, mais os preços aumentam.
Outra coisa que observei é que a esmagadora maioria dos hoteis nao tem garagem (claro, os turistas todos chegam de aviao, isso aqui é o fim do mundo). O nosso também nao tem, mas como está isolado, nossas queridas máquinas ficam seguras no estacionamento em frente. Falta de garagem é um problema sério para quem viaja de moto.
Amanha vamos fazer um mini-trekking pelo glaciar e vamos andar por cima do gelo com aqueles grampos especiais que se coloca no sapato e à noite vai ter a ceia de natal especial no hotel (do jeito que chegaremos famintos, vai ser delicioso, seja lá o que servirem).
A única coisa realmente chata por aqui é que a Internet mais rápida tem 256 KBps, ou seja, leeeenta…
Foto clássica em frente ao Glaciar Perito Moreno
Essas montanhas nevadas sao incríveis
A cidade está cheia de perros lindos e fofos
Hoje achei o primeiro gatinho patagônico
Eles chegam ao requinte de plantar flores que combinem com a casa
Hoje rodamos mais 365 km (moleza!) e o tempo estava perfeito se nao fosse o furacao linear, aquele nosso conhecido muito chato. Mas vimos um montao de guanacos, acho que centenas deles. Sao bichos lindíssimos, elegantes e muito curiosos.
Pena que é difícil fotografá-los, pois sao muito ariscos. Vários cruzaram na minha frente (pena que nem todos os motoristas estao atentos e vi vários mortos na estrada; é de dar pena). Mas meus olhos sao treinadíssimos porque fico procurando esses lindos pelo caminho. Eles sao maravilhosos, é como se fossem veadinhos sem a galhada, todos da cor do Haroldo.
Agora estamos em Rio Gallegos, a última cidade lá no “rabinho” do continente antes do Estreito de Magalhaes que leva à Terra do Fogo (para onde nao iremos dessa vez).
Rio Gallegos é a capital da Província de Santa Cruz e uma das maiores cidades da Patagônia. Tem um comércio bem desenvolvido e tomamos um café muito esperto ainda há pouco. Também compramos cerejas para comer depois, estao com uma cara ótima. O Conrado trocou o pneu traseiro da minha moto (as oficinas estao cheias de gringos que mandam as motos de aviao ou navio para passear por aqui) que nao ia sobreviver ao trecho de volta, conforme ele já tinha previsto.
Amanha chegamos a El Calafate para ver os glaciares, estou curiosa para ver. Vamos ficar lá até o natal e depois começamos o caminho de volta, que é bem comprido.
Hoje rodamos 390 km de Puerto Deseado a Puerto San Julián. Aquele furacao linear nosso conhecido nos acompanhou por um bom pedaço, mas eu estava com meu colete térmico (santa invencao) e foi tranquilo. Recomendo para pessoas friorentas, é uma delícia. Também vimos famílias completas de avestruzes e guanacos (liiindos!) na estrada. Para quem adora bichos, como eu, isso aqui é o paraíso!
Puerto San Julián é bem pequeno, mas foi aqui que a Patagônia foi batizada pelo explorador Fernao de Magalhaes quando estava realizando a sua lendária viagem de circunavegaçao.
Quando ele aportou em San Julián (tem uma réplica da caravela que o trouxe; é minúscula. O cara era mesmo muito corajoso), encontrou os nativos que eram altíssimos e tinham pés enormes para os padroes europeus. Por isso, Magalhaes os chamou de Patgon, que significa “pés grandes“. Pena que os nativos foram todos exterminados, pois eles se vestiam com peles de guanacos e comiam a sua carne. Quando os galeses, primeiros imigrantes, comecaram a criar ovelhas por aqui, eles acharam ótima a carne do “guanaco branco” que era muito mais fácil de caçar, pois corria pouco. O resultado é nao sobrou nenhum pé grande para contar a história.
Daqui a pouco vamos explorar o local, pois os dias aqui embaixo sao muito longos. O sol nasce às 4h30 e só se poe às 21h30 (o inverno aqui deve ser escuríssimo).
Nossa, o dia de ontem foi o que se pode chamar de ANIMAL! Mas também de sensacional, fantástico, incrível, inesquecível. A visita à Isla de los pinguinos fez o passeio pela Ría, feito no dia anterior, parecer excursao de escola primária. Nesse passeio, que durou o dia todo, eu me senti como se estivesse numa missao da National Geographic, tendo acesso a lugares da natureza muito privilegiados que só poucas pessoas conhecem e podem visitar.
Éramos apenas 8 visitantes (mais os dois tripulantes) no barco e fomos para a boca da Ría, onde o Rio Deseado encontra o mar. Lá passamos por uma ilha de rochas repleta de famílias de lobos marinhos (machos e seus haréns de fêmeas com seus filhotes). Descobrimos que os machos raptam fêmeas para formar um harém e nem todos os filhos da família sao do maioral. As fêmeas ficam apenas 19 dias por ano sem estar grávidas e precisam cuidar dos seus filhotes, uma vez que os machos estao apenas interessados em manter e aumentar seus haréns.
Um macho jovem se exibindo
No passeio do dia anterior eram duas ou 3 famílias. Aqui eram dezenas, e a gente pôde ficar bem pertinho. Depois passamos pela Isla Chata, onde está a maior colônia de cormorans imperiais que se tem notícia. A ilha é mesmo impressionante. O roteiro previa apenas o contorno, mas como o dia estava perfeito, sem nuvens e sem vento, ganhamos um desembarque e uma visita. É inacreditável a quantidade de pássaros, nunca tinha visto nada parecido, nem em filmes.
Parada na Isla Chata
Isla Chata: nunca vi tantos pássaros
Isla Chata: Eles têm que usar fotos aéreas para contar a populacao
Por fim, o objetivo final do passeio: a Isla de los Pinguinos. Passamos umas 4 horas andando por ela, e o que se pode dizer é que onde nas outras ilhas têm capim, aqui tem pinguins. A gente tem que caminhar bem devagar, pois há ninhos deles por toda parte. Há também filhotes de um outro pássaro enorme, que come filhotes de pinguins (é seu maior predador).
Isla de los Pinguinos: pinguins magalânicos indo apressados ao farol
Esse passarinho vai comer pinguins filhotes quando crescer
Isla de los Pinguinos: o musgo aqui é alaranjado
Ainda vimos, na ilha, uma colônia de lobos marinhos solteiros, que nao conseguiram roubar nenhuma femea dos outros haréns e por isso sao exilados, junto com os velhos aposentados que nao têm mais condicoes de manter suas fêmeas em seguranca.
Mas o melhor mesmo ficou para o final: a visita à colônia dos Pinguins de penacho amarelo, uma das poucas fora da Antártida. O bichinho é tao estiloso que faz até pose para tirar fotos. Como recebem pouquíssimas visitas, sao muito curiosos e chegam bem pertinho da gente (dá até vontade de pegar no colo).
Essas luzes sao um charme, nao sao?
Pinguin do penacho amarelo fazendo pose
Eu fazendo pose com os pinguins
No almoco (sanduíches e sucos numa clareira improvisada), um dos guias sacou de sua mochila uma cuia de chimarrao e preparou o mate ali mesmo. Os estrangeiros todos ficaram muito curiosos (nunca tinham visto), mas todo mundo tomou o mate para experimentar. No final, um holanes muito engracado disse que aquilo estava parecendo uma rodinha de baseado e que o mate devia ser muito forte mesmo, pois ele estava vendo pinguins por toda parte.
Para completar, na volta ainda fomos seguidos por 5 golfinhos (eles chamam de toninas) que ficaram fazendo graca em volta do barco.
Nossos companheiros de viagem
Um dia para lembrar, o dia em que fui uma exploradora da National Geographic, bem como eu tinha imaginado quando era pequena…
Consegui fazer uns videos para ter uma ideia do lugar. Eles tem poucos segundos para nao ficar pesado para carregar. Tem golfinhos, marcha dos pinguins e bate-boca entre lobos marinhos. Divirtam-se!
Hoje foi um dia para ficar na historia, de tao lindo. Passeamos pela Ria Deseada na paz, sem multidoes e com o tempo maravilhoso. Soh estavamos nos e um casal de austriacos muito simpatico (nao aparecem muitos brasileiros por aqui, em compensacao esta cheio de europeus).
Primeiro passamos por encostas cheias de ninhos de cormoroes do tipo gris e roquero. Depois vimos lobos do mar e golfinhos lindos (bem dificeis de fotografar, mas consegui fazer um filminho bem rapido). Para terminar, a Isla dos Passaros, onde pudemos caminhar no meio dos pinguins como em Punta Tombo, com a diferenca fundamental de que nao estavamos acompanhados por uma horda de turistas (faz bastante diferenca; os animais ficam muito menos estressados e a gente pode caminhar bem devagarinho ao lado deles sem assusta-los). Eramos somente 6 pessoas na ilha toda. Parecia um Animal Planet (que eu adoro) ao vivo em alta definicao, coisa de emocionar mesmo. Nao fosse por outros motivos, soh o dia de hoje jah teria valido os 3.500 km que rodamos ateh aqui.
E amanha tem mais: vamos fazer um passeio de dia inteiro na Isla Pinguino, onde vivem os Pinguins de penacho amarelo, raros e descabelados. Esse eh um dos poucos lugares do mundo onde podem ser avistados.
A ría eh uma das formas que podem ter a desembocadura de um rio. No caso da ria, o mar entra pela costa por dentro do rio de tal maneira que ele fica sujeito as mares. Na America do Sul, a Ria Deseada (onde estamos) eh a unica que existe.
Entao, Puerto Deseado fica na desembocadura do Rio Deseado, formando a tal ria. Nesses lugares, a fauna eh riquissima: tem lobos marinhos, pinguins, passaros de tudo quanto eh tipo e ateh golfinhos. Charles Darwin e o capitao do Beagle, o Fitz Roy, ficaram tao fascinados que subiram rio acima ateh as cordilheiras.
O lugar tem esse nome porque o primeiro navio ingles que aportou aqui se chamava Desire. Nao eh poetico? Adorei a historia.
Ontem jantamos maravilhosamente bem de novo (acho que nunca comemos tao bem numa viagem) no Restaurante El Pinguino. A temperatura estava 10° C e chovia a cantaros. Hoje amanheceu um dia lindissimo (nosso quarto tem vista para a Ria; essa viagem estah um luxo soh…) e a temperatura agora, perto do meio-dia, estah uns 14° C.
Solzinho da manha
Hoje de manha demos umas voltas por umas estradinhas que costeavam o rio (as fotos abaixo sao uma amostra) e a tarde vamos fazer um passeio de barco pela ria para ver os bichos (vamos com a Darwin Expediciones). Uma curiosidade eh que todo mundo, desde que a gente chegou na Argentina, jura que a gente eh alemao…
Agora comecou realmente a parte inedita da viagem, por trechos que ainda nao tinhamos passado antes.
Ontem rodamos mais 735 km, de Puerto Madryn a Puerto Deseado. Nossa, foi punk mesmo. Primeiro saimos de Puerto Madryn com um ceu querendo muito chover pesado. Novamente as curvas amigas nos desviaram das nuvens pesadissimas.
A gente saiu de manha com esse ceu...
No trecho entre Puerto Madryn e Comodoro Rivadavia, uma das maiores cidades patagonicas, o movimento de carros e caminhoes foi maior que eu esperava. Alias, a estrada passa por dentro de Comodoro, que eh bem grande. A gente atravessa algumas avenidas, bairros, rotatorias, trevos e quase se perde para voltar a estrada. Em Caleta Olivia foi a mesma coisa, parece que eles fazem de proposito para a pessoa se perder na cidade e nao seguir adiante. Boa parte do caminho contorna a costa atlantica, entao tem uns visuais de perder o folego de tao lindos.
A estrada tem trechos bons e outros nem tanto, mas o mais notavel eh o vento. Gente, o que era aquele vento?
De manha ele comeca normal, como um vento forte, porem civilizado. Mas conforme o dia vai avancando, ele vai ficando mais e mais nervoso, ateh que lah pelas 5 da tarde as forcas eolicas partem para a ignorancia e o negocio fica intratavel. Acho que a unica diferenca entre esse vento e um furacao eh que esse nao faz curva, eh sempre reto e de lado (infelizmente, sempre do mesmo lado); mas o mau humor eh igualzinho. A gente tem que fazer uma forca descomunal para manter a cabeca em cima do pescoco, fica exaurido com o exercicio.
Os ultimos 120 km foram os mais dificeis. Alem de jah estarmos bem cansados (na verdade, caindo aos pedacos), aquele vento malcriado virou de repente e ficou de frente, com toda a forca. Parecia que o capacete ia entrar cabeca adentro (os oculos chegaram a machucar um pouco). Alem disso, a temperatura que estava 28° C (segundo o termometro da moto), passou a 12° C em menos de uma hora (quase congelamos). Tambem teve um pouco de chuva e um desvio em estrada de terra por causa de obras de manutencao. Nao dah para dizer de jeito nenhum que foi um tedio…
Mas olha so o cenario que nos esperava em Puerto Deseado. Precisa dizer que valeu a pena?
Esse puerto eh mesmo lindo. Nao eh a toa que eh tao desejado...
Essa casinha amarela eh a sede da Darwin Expediciones
Puerto Madryn eh uma delicia (esse teclado esta todo apagado e os acentos nao funcionam). Daqui ha varios passeios interessantes para a Peninsula Valdez e Punta Tombo, mas como jah fizemos esses e estavamos muito cansados, resolvemos vagabundear por um dia inteiro. Os jantares pantagruelicos continuaram (teve um dia que rolou ateh espumante em homenagem ao nosso amigo Neander que eh fan da bebida). O cambio estah realmente nos ajudando na vida buena…
Vista do pier, o mar eh lindo mas gelado, a julgar pelo ventinho...
Essa vida de motoviajante eh mucho buena
A gente pegou um hotel bem antiguinho (inclusive precisando de uma reforma), mas tinha uma vista para o mar espetacular. Sem contar que a gente era acordado pelo sol que entrava de manha e ficava cutucando a gente em cima da cama. Dilicia…
Vista do quarto do hotel a tarde (de manha ninguem estava em condicoes de tirar fotos)
Hoje completamos 2.700 km de estrada e chegamos a Puerto Madryn, na Patagônia. A estrada estava ótima, o dia belíssimo e a temperatura perfeita (uns 20º). Nuvens de chuva nos espreitaram por toda a estrada, mas curvas amigas impediram nosso encontro com elas.
A gente já conhecia a cidade de outra viagem, é muito lindinha mesmo. Fico impressionada com a luz e a cor da água. Como o câmbio está nos favorecendo, pegamos um hotelzinho charmoso de frente para o mar por meros R$ 80,00 (menos que um Íbis).
Aliás, a gasolina na Argentina, na regiao de Buenos Aires está o equivalente a R$ 1,80. Só que na Patagônia, por causa das distâncias enormes, o combustível é subsidiado. O resultado é que estamos pagando mais ou menos R$ 1,10 o litro por aqui. Bom, né?
A outra coisa a se observar é que a polícia está super bem comportada, nao fomos extorquidos nenhuma vez, como era comum nos outros anos. Aliás, passamos por vários postos e os guardas só acenaram; nem sequer pediram os documentos. Mas o controle fitosanitário está bem rigoroso, passamos por vários postos de fiscalizacao e em dois deles tivemos que abrir a bagagem para mostrar que nao trazíamos vegetais ou comida (esse cuidado todo é por causa da febre aftosa).
Fizemos uma assembleia extraordinária durante o jantar (magnífico!) e definimos que vamos ficar mais um dia em Puerto Madryn para recarregar as baterias e aproveitar um pouco mais esse lugar tao lindo…